Se não fosse pela terra rachada,
Que de longe espia a patativa sossegada.
Se não fosse pelas promessas quebradas,
Que afoitos doutores indagam ao ar.
Se não fosse pela chuva que só vi aos três anos de nascido,
coisa linda de lembrar.
E a força da terra sugando a água,
Feito bicho faminto no peito da mãe.
Se não fosse pelas marcas na cara, que o sol,
o que mais vi na vida, enrugou-me na lida.
Se não fosse a vontade de dar de comer,
E não ter o que na panela ferver.
Se não fosse por ver meus rebentos de fome chorar,
Tendo costelas de fora a mostrar.
E no canto, como quem implora pena,
Conformado na certeza de que é sina,
Chora e reza a Deus uma providência,
E até de antemão já paga penitência.
Roga ele, caboclo forte, que trabalha
Mas sem sorte não tem o que comer.
Pois queimado e mal nascido, seu feijão e seu milho,
Não tem o que colher.
Roga ele uma divina intercessão
Pra sua cria, com saúde, ver crescer.
Com marcas visíveis no lombo, dói só de lembrar,
Dói mais ainda não poder voltar.
Mas se fosse pela saudade da terrinha,
Ah, eu voltaria!
Gente honesta, esperançosa e unida.
Das águas de cheiro
Das moças com vestido de chita.
Flor de mandacaru,
Atardinha na rede, preguiça.
Por isso tudo um dia eu volto,
nem que seja só em alma.
Foi lá que nasci, e a essa terra voltarei.
Minha amada injustiçada
Por aqueles que não querem melhorar você,
Meu nordeste sofrido, mas querido,
amo você.