terça-feira, 21 de setembro de 2010

Marias


A palma da mão tem calo,

O filho de pés descalços,
A mãe da sangue e suor pra poder comer.
O pai já partiu da vida,
Por conta de uma imensa dívida,
Vivia bebendo cana para se esquecer.
Esquecer que a vida te mostra o caminho do sol e depois tira.
Pois o sol que brilha, nasce pra dar coragem
A quem tem coragem pra vencer na vida.


E quando amanhece o dia,
A mãe se enterra na lida,
Catando lata e lixo pra sobreviver.
O dia nunca termina,
À noite lava e passa
Busca força e vontade mesmo sem ter.
Pois ter, resigna a face a levar os tapas das palmas da vida,
Já que ter indica quem nasce com marca de pobre,
E quem é que vai estar sempre acima.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Chamando Chuva


Chuva que cai, que abranda
a brasa cuspida da boca do sol;
chuva que cicatriza com verde,
com vida, o corte do chão.

Chuva traz alegria
secando o rio salgado do olho.
Chuva que traz a vida
que a seca bandida nos tirou das mãos.

Seca desesperada, teu cheiro de mágoa
tá chegando ao fim,
que a chuva que cai te lava,
pois dias melhores já estão por vir.

Chuva traz esperança
com aquela criança brincando no açude.

Saiba que eu comeria sua água
e faria folia sem fim.

Coisas da Capital


Um mundo de concreto, vidros e metais,
gravatas que dão nós em pescoços de generais
como símbolos de forca,
para quem contra a força se postar.
As leis são transgredidas por seus criadores,
assim:
como quem brinca de Deus, sem medidas humanas, só de cifras numéricas.


Aqui é um grande bosque de cores variadas,
planos sinuosos e indisposições políticas,
fatídicas histórias de almas vendidas,
assim:
como quem luta pra viver melhor,
sem se preocupar com o que está embaixo do sapato de couro de gente.