terça-feira, 21 de setembro de 2010

Marias


A palma da mão tem calo,

O filho de pés descalços,
A mãe da sangue e suor pra poder comer.
O pai já partiu da vida,
Por conta de uma imensa dívida,
Vivia bebendo cana para se esquecer.
Esquecer que a vida te mostra o caminho do sol e depois tira.
Pois o sol que brilha, nasce pra dar coragem
A quem tem coragem pra vencer na vida.


E quando amanhece o dia,
A mãe se enterra na lida,
Catando lata e lixo pra sobreviver.
O dia nunca termina,
À noite lava e passa
Busca força e vontade mesmo sem ter.
Pois ter, resigna a face a levar os tapas das palmas da vida,
Já que ter indica quem nasce com marca de pobre,
E quem é que vai estar sempre acima.

Um comentário:

  1. William é poeta. Poeta que não ameniza e nem disfarça a intenção de nos cortar a face com as palavras. Aos desavisados, abram os olhos!

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