A cruz que uma nação carrega é demasiado pesada tendo em vista a pequena parcela de marginais que se deliciam à revelia de sua desonestidade.
As cruzes provocadas pelo corrupto no desvio de armamentos pesados de uso exclusivo das Forças Armadas onde trabalha.
As atrofias intelectuais provocadas pelo desvio de merenda, pois a fome afasta as crianças da escola, para sustentar a família de um funcionário público que recebe vale alimentação.
Cruzes para lembrar duas crianças mortas, uma no asfalto outra no morro, no conflito em que uma delas, ausente na escola, vendia drogas para o irmão da outra.
A cruz dessa criança faz lembrar que ela, ainda com vida, morreu em um hospital público por falta de material médico-hospitalar, resultado do desvio de verba da saúde pública para financiar campanhas eleitorais.
A cruz fixada no alto de uma igreja, onde uma jovem reza pedindo dias melhores após ter sido demitida por ter passado dinheiro a mais para o freguês que fez de conta que não viu.
As cruzes de um cemitério cobertas de uma poeira vermelha são o resultado da ganância de um prefeito que decidiu desviar o projeto de irrigação para a sua fazenda produtora de café.
A cruz do desemprego, carregada pelo homem quase morto, revela as veias de um rio por onde se escoam verbas públicas destinadas à geração de empregos.
Em um cruzamento que liga o poder legislativo e o poder executivo da região, um garoto fuma craque pois, desnutrido e mal nascido, viaja na majestosa arquitetura do estado patrocinada com o mesmo dinheiro que poderia salvá-lo.
As cruzes sociais que são levantadas a cada golpe de braço dado por essa minoria criminosa, feita por seres asquerosos que só enxergam o próprio umbigo, são a prova mais concreta de que essas coisas não pertencem à nossa espécie. Porque o homem, quando se torna corrupto, deixa de ser humano. E o resultado é esse.
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