terça-feira, 26 de abril de 2011

Ao acaso da sorte













Para matar a fome o
pobre morreu,
Às portas do armazém.
Para morar em baixo de um teto o pobre morreu,
Em um viaduto, sobre a linha do trem.
Para matar a fome do pobre
Sem retirar o teto que o cobre,
T
em que fazer o que muito se fala
No tempo de votar nos profetas da farsa.

Para matar a fome a menina se vendeu,
E o solitário se sacia.
Para esquentar o frio o menino fumou craque,
sentado frente à delegacia.
Para sanar o problema das ruas,
Tem que colocar as crianças na escola,
Tem que dar pão, circo e cultura,
Pra não deixá-los ao acaso da sorte.

Palafita escorada num morro caiu,
E a enxurrada levou.
Para salvar a menina o menino se afogou,
Em um mar de lama, em frente à prefeitura.
Para lavar a sujeira das ruas
Temos que tomar vergonha na cara,
Exigir o que é nosso, e que é dado
A bancos falidos e obras super faturadas.

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